O artista Henrique Detomi é natural de Belo Horizonte (MG) e, atualmente, vive e trabalha em São Paulo (SP). Ele participa da 3ª exposição do ARTE LONDRINA 7, Precipitações, com quatro pinturas da série Pequena ode ao vazio e respondeu algumas questões feitas pela DaP.

 

“Estas obras apresentadas ao Arte Londrina 7 fazem parte da minha pesquisa em torno da representação da paisagem. Proponho apresentar pinturas realizadas em 2018 da série intitulada Pequena Ode ao Vazio. Em minha produção penso a paisagem como um objeto dinâmico, passível de mutação e constantemente reformulado pelo imaginário humano. Quando a pintura mostra uma paisagem ela enquadra um espaço e conduz o olhar por entre os planos pictóricos. Nesse sentido a pintura cerceia espaços para construir um lugar de reflexão sobre aquilo que nos cerca, que em algum momento nós a chamamos de paisagem. Manter essa paisagem em constante processo de reconstrução é uma forma que encontro para evidenciar o quanto ela em si é um conceito em aberto. Me coloco como um construtor de paisagens, propondo intervir no imaginário da paisagem, questionando a noção da realidade. Aponto para a necessidade de discutir o complexo Paisagem Natural X Paisagem Artificial, e para tanto elegi inserir nas paisagens naturais que represento em minhas pinturas pequenas faltas, elementos estranhos, irregulares que poderiam ser tomados como artificiais ou parte intrínseca da paisagem. Estes elementos aparecem na pintura apenas pelo seu contorno já que são realizadas com máscaras e deixam aparente a base de preparo da tela, como uma parte inacabada da pintura. Desta maneira, além de colocar em evidencia as duas noções de paisagem, crio num paralelo que perturba a real existência física dos dois, remetendo a uma imagem construída pela mente, uma ilusão ou um devaneio.”

– Henrique Detomi.

 

COM QUEM TEM AS MELHORES CONVERSAS SOBRE O QUE TE INTERESSA COMO ARTISTA?

Atualmente faço parte de um grupo de artista de visitas de ateliês. Neste grupo agendamos visitas mensais nos ateliês dos próprios integrantes para conversarmos sobre processos de produção. Eu gostaria de mencionar os artistas Alice Lara, Maurício Parra e Danielle Noronha. Além deles tenho mantido uma importante troca de conversas com Maria Eugênia Matricardi.

 

COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Um trabalho meu sempre se inicia na observação dos processos vividos na produção dos outros trabalhos. É um ciclo de entendimento das minhas vontades com as relações vividas com o espaço que me rodeia.

 

QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

É difícil destacar um artista ou teórico dos outros, pois todos possuem suas importâncias únicas para a construção do cenário artístico e social de uma forma geral.

Para a minha produção gostaria de citar os artistas Francis Alys, Christo e Jeanne-Claude, Robert Smithson e Richard Serra. Com eles compreendi melhor sobre os lugares que pretendia acessar na minha produção recente.

 

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Estou no momento realizando o mestrado em poéticas na ECA-USP, então tenho uma bibliografia extensa para citar, porém neste momento exato estou lendo Natural:Mente de Vilém Flusser (2011) e o Visconde Partido Ao Meio de Italo Calvino (1990)

 

QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

Eu tenho me mantido atento às casualidade capazes de causar estranhamento. Não é algo peculiar em si, mas faz parte de um sistema de relações que são capazes de tirar a mente da banalidade. No meu caso tenho realizado uma série de caminhadas em diferentes lugares rurais que me fazem acessar uma segunda consciência do espaço.

 

O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Neste momento estou desenvolvendo uma experimentação de novos suportes para a série de pinturas que já desenvolvo. Assim irei pintar sobre madeira, bolo armênio, linho e algodão aparente. Desta forma o suporte deixa der ser o meio onde a pintura se sobrepõe e passa a ser uma matéria que participa ativamente da imagem final do trabalho.

 

O QUE NÃO ESTÁ FEITO NÃO EXISTE?

Pelo contrário, a existência depende mais da nossa relação com ela do que de sua criação efetiva. Tudo já existe antes mesmo que possamos  imaginar.

 

COMO SE FUNDEM IMAGINÁRIO E PAISAGEM NO SEU TRABALHO OU COMO A FALTA NOS OBRIGA AO DEVANEIO?

Eu penso que a paisagem é fruto de um imaginário acessado a partir de uma experiência empírica. No meu trabalho tenho desenvolvido formas de atingir imageticamente esta experiência que está presente na paisagem. Quando represento a paisagem mantendo uma parte, um recorte, uma falta, sem tinta, penso em atingir uma consciência a respeito da natureza, que, por sua vez, é a representação da totalidade cósmica. A mera sugestão deste recorte é capaz de tencionar nossas relações com o espaço.

 

SERIA CORRETO PENSAR QUE NUM PRÓXIMO PASSO SEUS TRABALHOS AVANÇARÃO PARA O ESPAÇO?

Sim. Neste momento até na pintura já investigo a materialidade e consequentemente tenho experimentado trabalhar com outras matérias pensando este trabalho tridimensionalmente.

 

Local de trabalho do artista Henrique Detomi

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