O artista Rodrigo Moreira respondeu algumas questões feitas pela DaP. Ele reside em Nova York (EUA) e participa da 2ª exposição do ARTE LONDRINA 7 – EMPRESTA-ME UM DE SEUS DIAS com o trabalho Medusas.

 

COM QUEM TEM AS MELHORES CONVERSAS SOBRE O QUE TE INTERESSA COMO ARTISTA?
Gosto de conversar com meus amigos que não são artistas, pra ter uma perspectiva menos filtrada. E também com os amigos artistas, que me ajudam a pensar em conexões mais amplas. Arte e vida.

 

COMO UM TRABALHO COMEÇA?
Na maioria das vezes vem de algo que me incomoda durante minha experiência no mundo. Pode ser algo que vivo e ainda não entendo muito bem. A partir disso tento traçar relações com história, política, práticas sociais e subjetividades que expandem aquele tema e o tornam mais complexo. Muito dos meus trabalhos são influenciados pelo meu contato naquele momento com literatura, mídia, comunicação e música.

 

QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?
Roland Barthes, José Saramago, Cildo Meireles, Sophie Calle, Gilbert & George, Hito Steyerl são grandes inspirações. Gosto do modo como pensam e criam trabalhos que interferem no mundo de maneira política e também poética.

 

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Terminando Big Tech – A ascensão dos dados e a morte da política (Evgeny Morozov).

 

QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

Eu adoro prestar atenção no som da risada das pessoas. Gosto do som das palavras, etimologia e conexões entre coisas aparentemente distintas.

 

O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Tenho trabalhado já há algum tempo em um projeto chamado NSA, sobre imigração nos EUA, onde vivo atualmente. Em inglês, NSA pode significar National Security Agency (Agência de Segurança Nacional) ou No Strings Attached (que indica um relacionamento sem compromisso). Vejo as atuais políticas de imigração sob essa ótica, como um relacionamento amoroso não muito bem definido. Nesse trabalho, eu coleto depoimentos de imigrantes sobre experiências íntimas e políticas vivendo nos EUA. A partir daí, venho produzido trabalhos em serigrafia, video, texto e instalação investigando as relações entre fantasia, vigilância, transparência, controle e política que envolvem a condição de viver em uma cultura diferente.

 

QUE MÚSICA VOCÊ OUVE?
Perfume Genius, Cate le Bon, The Radio Department, “Tropix” da Céu, Karina Burh…Ouço indie rock, paixão antiga, não saio de casa sem ele.

 

QUE EXPERIÊNCIA FOI IMPORTANTE PARA QUE VOCÊ SE ENTENDESSE COMO ARTISTA?

Lembro-me de visitar a exposição “Cuide de você” da Sophie Calle no Sesc Pompeia em São Paulo e ver arte por uma perspectiva mais libertadora, sensível e potente. Nas faculdades de Comunicação e Design Gráfico em que me formei, estudamos sobre as relações entre arte e design, o que foi algo que despertou meu desejo de criar arte e a possibilidade de ser artista. Acho que tudo começa com aqueles capítulos do livro sobre pinturas rupestres e Marcel Duchamp.

 

ACREDITA QUE TENTAMOS DISFARÇAR O QUE ESTÁ NA CARA?
É desconfortável se expor. O disfarce é uma defesa pra proteger algo que no fundo temos em comum com todo mundo.

 

BELEZA E TRAGÉDIA, ACHA QUE ESTÃO OCULTOS UM NO OUTRO?
Eu gosto de pensar na conexão entre beleza e tragédia e no ponto de virada em que uma coisa se conecta à outra. Há um fascínio popular pela tragédia e também pela beleza. Os dois estados possuem um páthos que os conecta.

 

O QUE ACHA SE DISSERMOS QUE SEU TRABALHO SUGERE QUE UM POUCO DE ATENÇÃO AO DESEJO SERIA UM ANTÍDOTO CONTRA A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA HIPOCRISIA?
Eu acho essa ideia ótima! Atenção ao desejo e liberdade de exercê-lo com consciência são atitudes transformadoras.

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