O artista Leto William participa da exposição OPÇÕES DE FIM DE MUNDO.

Enviamos algumas perguntas para que possamos conhecer mais o processo e as referências do artista.

 

1 – COMO UM TRABALHO COMEÇA?

É interessante responder essa pergunta novamente à DaP, pois é possível fazer digressões e verificar, com minhas outras respostas, que meus trabalhos acontecem de maneira acidental, a partir de um encontro com as coisas e com as pessoas. Para mim é muito difícil fazer um trabalho sob encomenda, sob pressão ou com tema predeterminado – normalmente ficam péssimos –, mas existem algumas situações que pinçam minha curiosidade e olho demoradamente para elas, questionando como é possível apresentar essa situação/coisa de maneira que dialogue com minha vida e com a maneira que me construo enquanto sujeito.

Também tenho diversos desenhos e anotações de projetos, ideias e formas de apresentação que funcionam como um arquivo que eu retorno constantemente ou me deparo por acaso, ativando outras conexões, deslocando títulos, ideias. Dessa maneira, penso os trabalhos como marcas, ou mesmo como restos visíveis de um exercício de pensamento, ampliado exponencialmente.

 

2 – QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

Me interesso por artistas que trabalhem as questões da escrita, do som e do corpo e precariedade. Me interesso pelas vanguardas do começo do século passado, principalmente o Dadaísmo, Futurismo e Poesia de Vanguarda Russa. Me interesso pelos artistas conceituais dos 1960 nos Estados Unidos e principalmente na América Latina, com Hélio Oiticica, Paulo Brusky e Lygia Clark e na Europa com Robert Filliou, Georges Perec e outros. Ultimamente me interesso pela produção do Thomas Hirschhorn e do Ahmet Ogut.

 

3 – O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Understanding Media, do Marshall McLuhan; Le Frère Preféré, do Tiery Bourquin, ; A liberdade é uma luta constante, da Angela Davis; The Secret of Permanent Creation, do Robert Filliou; Como entrar e sair desde a modernidade, do Nestor Garcia Canclini, e textos e artigos relacionados às disciplinas que ministro na Udesc.

 

4 – QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

As dualidades, por mais que saiba que elas não existem.

 

5 – O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Acabei de voltar de uma residência de três meses na Citè Internationale des Arts, em Paris, organizada pela Aliança Francesa de Florianópolis e pelo Instituto Francês,  onde desenvolvi alguns trabalhos pensando as questões de fronteiras, do colonialismo e do reflexo desse colonialismo na produção contemporânea, no meu trabalho inclusive. Lá desenvolvi três trabalhos: um projeto de instalação sonora chamado “sirene” – realizado a partir da marcação das sirenes escutadas na cidade (de carros de polícias, de ambulâncias e de bombeiros); outro trabalho chamado “o estado é uma ficção que mata”, que são uma série de desenhos de mapas de alguns países e as datas em que esses países estiveram em guerras e por fim uma série de 80 desenhos, chamada “marcação” que conversam com o trabalho dos mapas.

Além desses trabalhos, desde o ano passado tenho me envolvido bastante com a dança e com o vídeo, e desenvolvo alguns projetos nesses cruzamentos.

 

6 – QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Ultimamente não tenho sido fiel a nenhum site, tenho navegado por diversos links, à deriva. Quando preciso busco sites de notícias e blogs/sites de artistas.

 

7 – QUE MÚSICAS VOCÊ OUVE?

Gosto muito de músicas clássicas instrumental, músicas interpretadas por mulheres, músicas melancólicas – essas são músicas que escuto em meu cotidiano ou para trabalhar, mas também gosto demais de samba, blues, jazz e de vez em quando uma diva pop.

 

8 – QUE EXPERIÊNCIAS COM ARTE FORAM IMPORTANTES PARA VOCÊ?

Trabalhar como mediador na Divisão de Artes Plásticas foi uma das experiências mais marcantes em meu trabalho com Arte. Trabalhar como professor também – me permitiu entender as relações comunicativas entre os sujeitos e consequentemente entre os trabalhos de Arte. O Mestrado em Artes Visuais na Udesc também, pois com ele conheci artistas incríveis e desenvolvi vários trabalhos em conjunto – principalmente com o Silfarlem Oliveira. A experiência mais recente foi a residência artística na Citè, que eu comentei acima, ainda processo seus desdobramentos e as questões que me suscitou.

 

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>