O artista Ricardo Alves participa da exposição ARTE LONDRINA 5 – PELA ESTRADA E FORA. Enviamos algumas perguntas para que possamos conhecer mais sobre o processo e as referências da artista.

 

1 – COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Antes de tudo, tenho a vontade de gerar algo que seja possível apenas pelo exercício de minha experiência individual e que ao mesmo tempo se conecte de alguma maneira em algo que veio antes, seja um trabalho que eu mesmo já tenha feito, seja o trabalho de outros artistas (de outras épocas ou meus pares).  De forma mais concreta, começo um trabalho buscando a partir imagens variadas prontas disponíveis na internet ou outros meios, e também imagens imaginadas, transformá-las em sua forma e estrutura ao materializá-las na pintura, para que chegue a algum lugar que dificilmente eu poderia prever. Minha intenção é que embora eu creia que o trabalho necessite ser gerado de minha experiência particular individual, que ele ultrapasse isso e seja um negócio mais forte e interessante do que eu. Talvez assim, ele poderá causar alguma curiosidade e transformação interna, nem que seja mínima e sutil, no espectador.

 

2 – QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

Vou escolher só uma artista que é a Mira Schendel. Impossível resumir aqui o porquê da importância de sua obra, mas pela forma como a artista expressa nela o sujeito, o grau que imprime de espiritualidade, pela sua gestualidade que eu acho linda, pela impregnação de um caráter fortemente humano em seu trabalho.

 

3 – O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Estou no meio de Os Irmãos Karamazov de Dostoievsky. Terminei recentemente Van Gogh – A Vida, uma biografia do artista, por Steven Naifeh e Gregory White Smith, escrita de maneira bastante séria e competente a partir de centenas de documentos, entrevistas etc. É incrível, porque a partir da história dessa vida, é possível se aproximar de maneira muito rica do vai e vem de um processo criativo, de ideais envolvidos, desejos, aspirações, dificuldades, relação dos artistas com o mercado de arte e com a sociedade etc, em uma determinada época que é a segunda metade do século XIX, um período que me intriga muito.

 

4 – QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

Pessoas corajosas e de espírito transformador que se manifestam.

 

 5 – O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Uma série de pinturas de 90 x 90 cm. Em algumas delas, ao contrário do que eu vinha fazendo antes, que eram trabalhos predominantemente mais opacos, tenho arriscado velaturas (técnica pictórica de sobreposição de camadas transparentes), que possibilitam maior profundida de áreas escuras.

 

6 – QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Sites de artista, galerias e museus, para conhecer, nem que seja de maneira indireta num primeiro momento, a produção de artistas que estejam atuando agora.

 

7 – QUE MÚSICAS VOCÊ OUVE?

Tenho um apreço especial por música brasileira especialmente do samba como Cartola, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Clara Nunes, e muitos outros, sejam estabelecidos ou em início de carreira. Mas eu não ouço só música brasileira, eu gosto dos Strokes, de umas antiguinhas internacionais da década de 80… E nos últimos dias tenho ouvido umas músicas do Morissey e pensando: porque eu não ouço isso desde sempre?

 

8 – QUE EXPERIÊNCIA(S) COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ?

A graduação em Artes Plásticas, pois foi um momento de limpar o terreno do pensamento de crenças/clichês e compreender a arte como construção de conhecimento. A Universidade me deu uma base para produzir e falar sobre arte através de um exercício crítico.

 

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