A artista Maíra Vaz Valente participa da exposição ARTE LONDRINA 5 – O TEU CORPO É LUTA. Enviamos algumas perguntas para que possamos conhecer mais sobre o processo e as referências da artista.

 

1 – COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Talvez nunca me dê conta quando exatamente um trabalho começa, minha produção tem sido um contínuo, às vezes num vai e vem das questões que me inquietam. Poderia dizer que o trabalho começa com um desenho, mas acredito que ele comece mesmo todos os dias, ao abrir os sites de notícias pela manhã, ao sair de casa, ao me deslocar pela cidade com ou sem objetivos pré-determinados. O processo por vezes dispara durante meu trabalho como educadora, ou mesmo durante uma palestra, uma vivência ou um workshop. Acho que o trabalho começa quando identifico que há um desejo de que algo se concretize no mundo, a partir de um incômodo.

 

2 – QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

Considero muitas coisas importantes, mas de artistas, tenho tentado mergulhar cada vez mais no legado da produção brasileira de arte. Seria um pouco injusto listar, mas definitivamente os artistas ditos “neoconcretos” e os conceituais. Dos teóricos, talvez não me apegue muito a nenhum especificamente, mas, definitivamente, reler a história da arte brasileira à luz de textos das ciências sociais tem dado outro direcionamento para meu trabalho. Recentemente iniciei uma jornada pelos clássicos, no contexto da pós graduação, que decidi cursar e fui descobrir autores e rever outros, de modo a problematizar a ausência de uma historiografia da performance brasileira.

 

3 – O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Estou lendo simultaneamente alguns livros. Vou citar três que estão na minha cabeceira atualmente: Educação pela Pedra de João Cabral de Melo Neto,  Há mundos por vir? Ensaio sobre os medos e os fins de Danowski & Viveiros de Castro; e Arte e Poder de Boris Groys.

 

4 – QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

Os encontros e a amizade me chamam a atenção no mundo, principalmente a possibilidade de criação do que chamamos de mundo. Estariam na minha busca as formas de políticas da percepção para construção (ou desconstrução) da vida coletiva. Interesso-me por uma dimensão ecológica de nossa existência, ou seja, dos fluxos criados pelos gestos no mundo, pelos afetos que nos afetam enquanto indivíduos e sociedade. Isto está tanto no conflito do encontro, quanto na observação dos rios nas cidades.

 

5 – O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Realizei em março uma instalação “o fio, o verbo e os afluentes” que está em exposição. Realizo a ativação da obra semanalmente. Tenho me debruçado sobre essa produção que entrecruza a percepção dos rios de nossas memórias – e com a vivência na cidade – assim como as estratégias de pausa. Atualmente, tenho investido em lidar com a costura e o bordado como meios disparadores de encontros.

 

6 – QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Plataformas de vídeos tem sido as mais visitadas atualmente, onde tenho encontrado muito material de pesquisa. Aqui estou me referindo ao YOUTUBE e VIMEO mesmo, tenho encontrado muitas palestras que tem me inspirado. Como cito uma obra de Viveiros de Castro, muito de suas palestras encontrei ali, como o canal “Mil Nomes de Gaia”, ou mesmo os tantos programas do Canal SESC e TV SESC, no campo das Artes Visuais e palestras sobre Antropologia. E por fim, um canal que sempre busco algumas referências é a UBUWEB

 

7 – QUE MÚSICAS VOCÊ OUVE?

Prefiro o silêncio, ainda que goste de música. Peço sempre listas de músicas de amigos, mas tenho navegado por “Mar de Sophia” de Maria Bethânia durante as pesquisas sobre rios.

 

8 – QUE EXPERIÊNCIA(S) COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ?

Nunca vou me esquecer da minha passagem pela Escola de Comunicações e Artes da USP. A graduação foi um ponto de virada na minha vida. Firmei-me como artista ainda na graduação, e o exercício da arte e de pensar a arte se tornaram intrínsecos à minha forma de estar no mundo. Guardo como precisos a visita a duas exposições: Cosmococa de Hélio Oiticica em 2003, e Da obra ao acontecimento em 2006 de Lygia Clark, ambas na Pinacoteca do Estado de São Paulo e me fizeram perceber um mundo outro para a produção poética.

Duas experiências potentes se deram em duas mostras de intervenção urbana. A partir destas, não só a experiência, mas também os encontros configuraram muito do que penso e como me posiciono como artista. Em 2006 participei da Multiplicidade na cidade de Vitória e em 2008, na cidade de Recife, estive no SPA das Artes. Outras mostras foram fundamentais, mas estas foram inauguradoras.

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