O artista Thiago Navas  participa da exposição ARTE LONDRINA 4 – TEMPORALIDADES, SOBREPOSIÇÕES E APAGAMENTOS. Enviamos algumas perguntas para que possamos conhecer mais sobre o processo e as referências do artista. (Fotografia de Ricardo Tucci)

 

1 – COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Observando. Sinto que só em momentos que realmente estamos concentrados é que conseguimos ligar as peças do quebra cabeça que são nossos pensamentos, e assim estruturar um rascunho de uma ideia. Portanto, estar atento, em primeira instância é questão fundamental para o nascimento de um trabalho. Depois, o desenvolvimento e construção dessas idéias vem com a produção diária despendida em cima dessas ideias.

 

2 – QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

Confesso que meus interesses são múltiplos em relação a áreas do conhecimento, muitas vezes relegando a segundo plano meus estudos teóricos das artes visuais, mas sempre observei muito o trabalho de outros artistas. E muitos são os que observo. Mário de Andrade é um artista e teórico que tenho especial carinho, pesquiso sua obra a alguns anos, sendo ele figura muito importante para o meu trabalho. Dentro das artes visuais, as obras do Nuno Ramos sempre me chamaram atenção, gosto de suas soluções estéticas e racionais para os trabalhos, como estou relendo seu livro Ensaio Geral é o primeiro nome que me vem a cabeça. Questões relacionadas a memória são importantíssimas para mim, os trabalhos do Christian Boltanski, Gustavo Germano e Doris Salcedo são referências. Tenho amor por trabalhos escultóricos e dentro desse campo os trabalhos do Antony Gormley, Brancusi, Rachel Whiteread, Brecheret, Gordon Matta Clark e Richard Serra são alguns dos que gosto mais. A arquitetura e questões ligadas ao urbanismo são de profundo interesse para as minhas pesquisas, gosto muito dos trabalhos do Alvar Aalto, Gropius, Rem Koolhaas, Jan Gehl e outros.

 

3 – O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

Sempre leio vários livros ao mesmo tempo, o que nem sempre é bom, mas sou assim. No momento estou lendo a biografia de Getúlio Vargas, do escritor Lira Neto. O livro A Capital da Solidão, do Roberto Pompeu de Toledo. O livro Cartas 1924-1944, organizado pelo Marco Antônio de Moraes, das cartas trocadas por Mário de Andrade e Câmara Cascudo. E estou relendo o primeiro livro da tetralogia de Platão e o livro Ensaio Geral do Nuno Ramos.

 

4 – QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

A história de quase tudo me chama a atenção. E enfatizo, o que me chama a atenção são suas histórias, muitas vezes o objeto em si não me atrai tanto, mas a trajetória dele, sim. Por tanto, as histórias me chamam a atenção.

 

5 – O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

No momento, estou terminando a produção da série de desenhos Apagamentos/Emcobrimentos, o qual farei uma exposição individual na Caixa Cultural de São Paulo, com abertura no dia 16 de Julho. Além de um projeto áudio visual que nasceu de minha pesquisa no Mário de Andrade.

 

6 – QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Nenhum em específico, depende muito, uso o Google como um ponto de partida para chegar a outros.

 

7 – QUE MÚSICAS VOCÊ OUVE?

Tenho dois tipos de música que me interessam, as que, para mim, são belas e as que me causam estranhamento, dentro disso, podem estar contidas todas as gamas de música possíveis.
Me interesso intensamente por músicas tradicionais e folclóricas de qualquer parte do mundo, música clássica, especialmente, as da era romântica e barroca e música experimental, englobando desde música eletroacústica, jazz e música eletrônica, além dos rockões psicodélicos da década de 60.

 

8 – QUE EXPERIÊNCIA(S) COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ?

Meus pais desde de eu era muito novo me levavam a acontecimentos artísticos, cresci indo a museus, galerias, exposições, sessões de cinema e shows, todos esses ambientes são muito naturais para mim, me sinto muito confortável neles. Estar perto dos trabalhos de grandes artistas desde muito cedo, fez com que eu não os colocasse distanciados em pedestais, o que, de alguma forma possibilitou que o mundo das artes não fosse distante para mim. Caminhar muito por aí, foi algo que sempre fiz, andava por horas, observando atentamente os acontecimentos ao meu redor, sem me relacionar de forma direta ao que estava ocorrendo, prestando atenção e observando com carinho. Acho que essas duas formas de experiências foram e são fundamentais para a forma como me relaciono e produzo meu trabalho.

 

Abaixo algumas imagens dos trabalhos de Thiago Navas

thiago1

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