ANNE VIDAL

A artista Anne Courtois participa da exposição ARTE LONDRINA 4 – SOBRE O QUE PODE SER FAMILIAR. Enviamos algumas perguntas para que possamos conhecer mais sobre o processo e as referências da artista.

1 – COMO UM TRABALHO COMEÇA?

Pela observação de pequenas coisas: gestos, palavras, formas, objetos, hábitos e o estado de contemplação, surpresa ou indignação que me proporcionam.

Trata-se de um encontro entre atração e estranhamento, conhecido e inesperado que provoca então uma associação de ideias, convocando memorias ou desencadeando uma pesquisa.

 

2 – QUE ARTISTAS OU TEÓRICOS VOCÊ CONSIDERA IMPORTANTES? POR QUÊ?

Vou tentar organizar alguns por meio do tipo de experiência que seus trabalhos me proporcionam, fazendo recortes improváveis.

Voltaire, Rabelais, Duchamp, Magritte, Marcel Broodthaers pela pertinência da   provocação, da derrisão e auto derrisão como ponto de partida.

Calder pela pureza do e ludicidade assim como Yves Klein, também porque são dois homens que teria adorado conhecer.

Gerhard Richter pela incrível variedade e ousadia da habilidade e pelo estado contemplativo que me proporcionam suas pinturas.

Acrescento Bill Viola e Cao Guimarães nesse mergulho contemplativo, pois me revelam algo do silêncio do olhar como meio de alcançar o invisível ou tocar o sagrado.

Nos trabalhos recentes do Bill Viola, reencontro também meu fascínio pelos espaços interiores dos primitivos italianos e dos holandeses.

Meret Oppenheim, pelo poder erótico e o humor das suas associações de objetos.

Frida Kahlo, Eva Hesse, Louise Bourgeois (a grande iniciadora), Sophie Calle… Pelo espaço imenso que abriram à expressão da psique feminina e a produção artística como meio de expressão autobiográfico.

 

3 – O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?

“L’érotisme et le sacré” de Philippe Camby, “Mulher, Casa e Cidade” de Antonio Risério.

 

4 – QUE TIPO DE COISA CHAMA SUA ATENÇÃO NO MUNDO?

O surrealismo da vida. A essência por detrás do banal e do corriqueiro. O literal, no que ele tem de não obvio.

 

5 – O QUE VOCÊ ESTÁ PRODUZINDO AGORA?

Por questões materiais de tempo e espaço, trabalho concomitantemente em séries diferentes, as vezes drasticamente distantes de um ponto de vista formal, mas que se ramificam umas nas outras. Acabei uma produção de lambes baseados principalmente em jogos de palavras e estou voltando à minha série de panelas e panos quentes.. Coisas “do lar”, porém nada recatadas.

 

6 – QUE SITES VOCÊ COSTUMA VER?

Não reparo de forma significativa, tendo me perder.

 

7 – QUE MÚSICAS VOCÊ OUVE?

Fico muitas vezes em silêncio e não tenho repertório musical fixo; gosto por exemplo de músicas étnicas, forró, MPB, Cesária Évora, Nina  SimonePhilip Glass, entre outros.

 

8 – QUE EXPERIÊNCIA COM ARTE FOI IMPORTANTE PARA VOCÊ?

O convívio com as obras que já citei e tantas outras incluindo filmes, dança contemporânea e teatro.

A minha atividade de professora de artes no ensino médio e os projetos culturais com comunidades diversas dos quais já participei, por me colocarem em contato com a diversidade cultural e a experiência artística como agente de diálogo e de abertura à expressão alheia.

No mesmo sentido é também essencial para mim romper com o individualismo das artes visuais, dialogando sobre o trabalho por meio do grupo de artistas e amigos do qual participo.

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